O marketing digital e as redes sociais como aliados na mobilização política
* Andressa Veiga
A Terceira Revolução Industrial, mais conhecida como 'Revolução Digital', trouxe inúmeras mudanças de hábitos implicados no cotidiano da sociedade, trazendo maior dinamismo e interação mesmo a longas distâncias, maior facilidade de se contratar serviços, de criar conexões, além de facilitar principalmente o acesso à informação, que é pauta de grande repercussão na legislação brasileira.
Aparatos que são resultado de todas estas transformações sociais e tecnológicas, a nível básico, são os aparelhos eletrônicos e as redes sociais, grandes facilitadoras e intermediadoras dos processos anteriormente citados.
Com isso, todos os nichos e assuntos possíveis e imagináveis que possuam qualquer repercussão mínima podem ser encontrados nestas ferramentas, e a política, por ser necessária para a organização formal da sociedade, em todos os seus aspectos e espectros ideológicos, pode ser encontrada por lá sem grandes esforços.
Quando se fala em aspectos, em termos de política, a comunicação digital pode ser usada desde como plataforma oficial onde uma agremiação partidária expõe seus posicionamentos oficialmente, em um tom mais institucional, até decidir uma eleição, como plataforma de angariar eleitores. Dadas todas estas funcionalidades, funções digitais e tecnológicas têm sido pautas constantes nas direções partidárias e nas equipes de figuras públicas que integram o campo da política.
Antes mesmo da era digital, a comunicação sempre foi uma pauta importante para a política, seja para os partidos políticos, seja para os atores políticos, tendo em vista a relevância que as decisões políticas possuem por influenciar diretamente na organização social formal, a política no geral sempre teve de lidar com a imprensa.
No entanto, com a era digital, tanto os políticos quanto os partidos tiveram de aprimorar suas habilidades de comunicação em resposta à Revolução Digital, tendo de lidar com redes sociais e 'smartphones', que até o momento eram ferramentas novas e desconhecidas.
Tendo em vista todo este espaço que as redes sociais e a comunicação digital tomaram na política, não só nela, mas em todas as organizações formais da sociedade, praticamente, viraram rapidamente objeto de debate nas direções partidárias e nas equipes de figuras políticas, como mencionado anteriormente, gerando maior repulsa em pessoas que estavam acostumadas com o modus operandi antigo, aqueles mais conservadores diante de novidades, retomando a tese que política só se faz com 'cafezinho, sola de sapato e saliva'.
Ah, se elas soubessem que teríamos uma pandemia mundial! Nós, ocidentais, tão calorosos e mais impulsivos, não pensando no que pode acontecer no futuro, às vezes, temos realmente que nos render à sabedoria oriental, aos conceitos do taoísmo, que expõem claramente a dualidade do universo e que devemos sempre equilibrar duas forças. Em resumo, a política pode e deve ser feita de porta em porta, passada a pandemia, mas não deve negar o reforço que as plataformas digitais oferecem.
É importante destacar que da maneira que a tecnologia se inseriu e está presente na vida das pessoas hoje, só estar nas plataformas digitais não basta, é necessário fazer uso delas de maneira estratégica, comprovada cientificamente e com ferramentas próprias e específicas para tal que o mercado oferece.
Existe ciência e pesquisa sobre o assunto, o marketing político digital e seus profissionais estão a postos para tal e têm se apresentado como peça-chave no xadrez político, visto que a articulação e organização política por parte de dirigentes demanda tempo, delegar este serviço na mão de um profissional especializado é quase que um xeque-mate nesta partida.
Na política, como em todo nicho, especialmente na partidária, existem objetivos muito claros e definidos a serem cumpridos, envolver pessoas, seja angariando votos ou fortalecendo e formando sua militância, para envolver pessoas, se faz necessário estar onde elas estão. Em um mundo globalizado e digitalizado como o nosso, especialmente em meio a uma pandemia, fica fácil decifrar onde elas estão.
* Andressa Veiga é graduanda em Direito pela Universidade Metropolitana de Santos e atua como militante e ativista pelos direitos das mulheres, estudantes e da juventude.