A População de Rua, o Bom Senso e a Barbárie

 




O Censo da População de Rua realizado em outubro do ano passado pela Prefeitura de Santos junto com a Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP, mas somente divulgado recentemente (será esse também mais um efeito das últimas eleições municipais?), identificou 868 indivíduos vivendo em nossas ruas, dos quais 30,4% -  1/3 - tendo origem na baixada santista, o seja, 264 pessoas. Proporção que quase dobrou em relação há 10 anos.

Não à toa.

Este foi um período de aprofundamento de uma crise econômica infindável que leva, hoje, ¼ de nossa população estar fora do mercado formal de emprego: desempregado ou desalentado – assim considerados pelo IBGE, aquelas pessoas que após 6 meses, desistiram de procurar emprego, quer seja por desesperança, quer por não possuírem, se quer, condições de deslocamento para este fim.

Isso mesmo, muitos deixam de procurar emprego por falta de grana para a passagem do ônibus, de trem... seja lá o que for.

Acreditem!

A grande maioria, sem escolaridade e/ou qualificação profissional.

Um verdadeiro desastre que mostra o quantos nossos governantes estão deslocados e descolados da necessidade dessa população invisível.

A pesquisa desmistifica ainda o fato de que, em grande parte, os motivos para que estas pessoas estejam em situação de rua, estão relacionados, como disse, à crise financeira e conflitos familiares, vindo o uso de drogas como sustentação deste contexto.

Esse foi um grande passo e já não era sem tempo. Conhecer a realidade para buscar alternativas é um princípio básico na administração pública.

O próximo passo, e urgente, a ser dado, é nomear cada uma dessas pessoas, identificando-as individualmente, documentando-as com RG, CPF, CTPS e realizar o diagnóstico de suas carências e de suas habilidades.

E em caso de uso compulsivo de drogas pesadas, encaminhá-las para atendimento psiquiátrico, naturalmente.

Óbvio que os que possuírem problemas judiciais, devem ser apresentados a polícia.

Identificar seus núcleos familiares, abordando-os com a perspectiva de reinseri-los na família, identificando também suas necessidades particulares de sobrevivência e de laços afetivos é outro aspecto importante deste trabalho.

Não é um trabalho fácil, fosse assim, já estaria resolvido. Ou não.

Muitas vezes tratados como uma subespécie humana, que enfeiam as praças e jardins, devem ser entendidas como resultado de uma sociedade que, muitas vezes, preferem jogar suas “sujeiras” para baixo do tapete. Esquecem que seres humanos sofrem, tem suas necessidades, que muitas vezes são ignoradas por uma sociedade altamente competitiva, mas que o faz entre desiguais. Há pouco mais de um século, estes já foram chamados de lúpem, subproduto do proletariado e sem consciência de classe. Mas hoje, nem como tal podem ser considerados. Imagina terem consciência de classe, se mal têm consciência de si próprios. Foram erros da esquerda que teorizavam e da centro-direita que há tantos anos nos governa.

Nesta história toda, sempre terão os perdedores. E estes devem ser protegidos pelo estado, caso contrário, viveremos a barbárie, como aliás....

Bom, é isso aí. Aquele abraço.

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